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Rotina de treinos de um casal que vai competir nos Jogos Pan-Americanos com uma filha de 3 anos

Rotina de treinos de um casal que vai competir nos Jogos Pan-Americanos com uma filha de 3 anos

Rotina de treinos de um casal que vai competir nos Jogos Pan-Americanos com uma filha de 3 anos

Marcelo Giardi (Marreco) e Mariana Nep, pais de Maria, estão se preparando para um dos maiores desafios da vida deles: competir um Pan-Americano juntos, em família. Os dois praticam wakeboard e vão defender o Brasil nos jogos que vão acontecer ainda esse mês, em Lima, Peru.

Essa será a primeira vez de Mariana em um Pan, afinal este é o primeiro ano que o wakeboard feminino será um esporte oficial da competição. Mas ela já foi campeã latino americana masters, vice campeã sulamericana e bicampeã brasileira.

Marreco, por sua vez é veterano em Jogos Pan-Americanos. Ele  conquistou uma medalha de ouro em 2007, nos jogos do Rio de Janeiro, e uma de prata em 2011, no México. Agora, com as competições se aproximando, o casal conta como fica a rotina dos treinos conciliada com a rotina da família, principalmente por conta de Maria, três anos.

 

Como é treinar, viver como um casal e conciliar a rotina de competições com a vida familiar?

As vezes é superdifícil, né? A gente tem uma convivência de 24 horas por dia, a gente trabalha junto, a gente compete, ele é meu treinador, a gente fala de wake 24 horas por dia e temos brigas como qualquer casal. Mas eu adoro, a gente tem tudo a ver.

Passamos o dia quebrando a cabeça, pensando em como fazer dinheiro, em como fazer a escola bombar e ele me ajuda para caramba, briga muito comigo quando me treina e eu acho que ele gosta também. A gente só melhorou nesses últimos cinco anos. Temos uma filha que está super interada nesse mundo, que surfou comigo na minha barriga até os sete meses de gestação.

A filha de vocês já tem uma noção de que o esporte também é a profissão de vocês?

A Maria respira wake 24 horas por dia, acho que o único momento que ela não vê e não fala de wake é quando ela está na escola de manhã. Mas assim que ela volta da escola, a gente já vai para o barco. Ela treina e viaja com a gente para todas as competições.

Ela só não vai quando é competição do comitê olímpico porque aí a gente fica em Vila Olímpica. Nesse casa nem eu e Marreco ficamos juntos. Só que ela curte muito, pede para ir para água, pede para ir para o wake e pede para pular no trampolim.

Mas eu não sei se ela tem uma noção, ainda, de que o nosso trabalho é o wake. Mas ela só vê isso. Então ela já tem uma noção de que a vida dela é o esporte, viagem de wake, galera de wake e água 24 horas por dia. Overdose de wake na Maria desde que ela está na minha barriga.

Ela pede para praticar também?

Sim, todos os dias. Pode tá com água gelada, pode está frio, pode estar calor, pode estar o tempo que for, ela pede. Ainda mais nas férias, que a gente faz acampamento e ela vê todo mundo indo para água.

E ela fica: “Agora sou eu, agora sou eu. Eu sou a primeira”. Já tentou ficar de pé, inclusive essa semana, mas a gente não força. Quando a gente vê que ela não quer mais, a gente para e já tira da água. Ela tem várias roupas de borracha e ela só não vai para água quando tá com tosse.

Como fica a rotina em casa quando as competições se aproximam?

A rotina em casa, na verdade, é estar na água todos os dias. Quando a gente tá em época de competição, eu pego ela na escola. Treino de manhã (enquanto ela está estudando), a academia é perto da escolinha. Mas depois é treino na represa.

Pego ela na escola, vamos para o barco e ela vai com a gente. Vê a gente treinando e fica com a gente o tempo todo, elá só não vai para a academia comigo porque não tem como, mas eu carrego ela para tudo que é lugar. Ela é minha parceira, não gosto de deixar ela e nem tem como, a gente mora longe da família.

Vocês viajam a trabalho e por conta das competições, a filha de vocês vai junto ou ela fica com alguém de confiança?

Eu levo para tudo, nas que eu não tenho como, as do comitê olímpico, ela fica com a minha mãe. Ela é a que mora mais pertinho de casa e tem mais tempo livre para ficar com ela e cuidar de tudo.

Mas isso só aconteceu duas vezes em três anos de Maria na terra. Agora no segundo semestre a gente vai para Abudabi e vamos levar junto, para ela se acostumar com essa vida louca de viagens e competições.

Vocês vão levar ela para Lima junto com vocês?

Lima vai ser competição de ficar em Vila Olímpica, então ela não vai poder ir. Ela vai ficar com a minha mãe, já estamos avisando ela aos poucos. Mas o segundo semestre também vai ser cheio e ela vai para todas!

Dá medo de ver que ela sente desejo de seguir a carreira no esporte?

Ela já sabe nome de manobras, ensaia algumas. Desde os seis meses a gente arrasta ela em uma prancha de wake dentro de casa. De jeito nenhum a gente tem medo. Na verdade, é o que a gente mais quer.

Que ela curta todo esse estilo de vida que o wake proporciona. Viver na represa, em um lugar tranquilo, viajar o mundo inteiro e conhecer um monte de gente diferente. Ter um esporte, que isso é o mais importante. O que a gente mais quer é que ela curta e fique o máximo de tempo com a gente. Mas se ela não curtir, a gente vai apoiar o que ela curtir.

Fonte: UOL Pais&Filhos